Sua bondade é verdadeira?

February 28, 2018

Esses dias estava refletindo sobre a bondade. Sempre tive a vontade de ajudar muitas pessoas e até por isso fui estudar farmácia. Sofria da síndrome do salvador querendo fazer justiça, mudar e tirar a dor do mundo, melhorar a qualidade de vida das pessoas.

 

Por sentir pena do sofrimento das pessoas fiz dezenas de atendimentos gratuitos pois já que era isso que eu acreditava ser minha missão nessa vida e tinha já uma ferramenta para ajudar, por que não ajudar não é mesmo?

Seguindo essa linha de raciocínio, em pouco tempo, aquela alegria toda de praticar o BEM e fazer a diferença começou a se apagar.  Algo de muito errado estava acontecendo. Cheguei, então, a duvidar da minha própria bondade. Passei todos esse anos, lutando para encontrar a minha missão, viver do que amo por uma falsa ilusão do meu ego? Opaa, cai da nuvem e depois de ler e ouvir muitas pessoas falando sobre esse assunto cheguei a uma conclusão de que temos uma visão equivocada da bondade e da compaixão.

 

Desenrolando a nossa confusão

 

Muitos de nós acreditamos que para sermos bons e para aliviar nossa consciência temos que dar um dinheiro que muitas vezes nem temos. Pegamos problemas e responsabilidades que não nos pertence, gastamos energia nos sobrecarregando e ai não sobra nem tempo e nem disposição para fazermos o que nós precisamos fazer pro nosso próprio sustento. Você acha que isso é bondade?

 

São várias as razões que nos levam a sermos bondosos e compassivos. Nem todas essas razões são frutos de um coração livre das amarras do ego. Gestos bondosos muitas vezes são a consequência de culpa e remorso, para reparar um erro, ou apaziguar uma dor interna. Agir assim não necessariamente significa que estamos resolvendo um problema, podemos ao invés disso, estar criando outro. Quando os pais trabalham muito tempo fora, se sentem culpados por não estarem presentes na vida dos filhos, como recompensa para os filhos e amenizar o próprio sofrimento que esses pais sentem, enchem os filhos de presentes, mimos e facilidades. Se resolve o problema?! talvez momentaneamente seus corações tenham um período de paz mas podemos estar criando um outro problema que se refletirá em comportamentos destrutivos e dificuldades para essas crianças que crescem uma falsa visão da realidade onde tudo é fácil conseguir, que não aprendem o valor do esforço e da dedicação e ao cair nesse mundo sofrem por não terem tido essa base moral inicial.

Você acha que isso é bondade?

 

E quando pegamos para nós uma responsabilidade que não é nossa por dó do sofrimento de outra pessoa e em casos extremos nosso impulso é pegar essa pessoa, levá-la para casa, dar comida, até tira do bolso um dinheirinho que ia  fazer falta mas o dá mesmo assim, briga com a família que acha que você é doido e como consequência se sobrecarrega gastando energia e tempo que seriam preciosos investindo em algo para sua própria existência. Acha mesmo que isso é bondade ou está apenas querendo se livrar de uma culpa guardada a sete chaves ou mesmo querendo ser aceito pelas pessoas pois se sente extremamente sozinho e desamparado?

 

A quem você está querendo enganar?

 

Acredito que somos um tanto pretensiosos ao achar que temos tanto poder assim.

Precisamos colocar o sofrimento sob uma nova perspectiva. Veja bem: muitas vezes a pessoa nem está pedindo ajuda e já estamos lá estendendo a mão; se pegamos o problema para nós não estamos sendo bondosos conosco pois estaremos nos sobrecarregando com algo que não nos pertence e nem com a própria pessoa que no caso perdeu a chance de aprender com a experiência que ela mesma atraiu pra própria vida.  

 

Calma, não falei para ser egoísta e só pensar em si mesmo. É preciso ponderar e encontrar o equilíbrio entre doar demais e ser egoísta demais.

 

Uma das recomendações de segurança quando você viaja de avião é que em caso de despressurização primeiro coloque a máscara em si mesmo e depois nos demais.

 

 

É limitante e equivocada a ideia que eu tinha de que pra servir as pessoas e ser bondosa devia atender as pessoas gratuitamente. Entramos numa sem fim se pensamos assim. Não cobrar por achar que é "nobre" é um grande engano pois estaríamos fadados a todos ficarem estagnados e sem dinheiro para investir em novos cursos que vão ajudar ainda mais quem precisa e de fato quer ser ajudado. Tive que ressignificar muitas crenças a respeito da bondade, compaixão, amor próprio e até em relação ao dinheiro. Com meu trabalho acredito que estou mudando a vida de muitas pessoas mas também preciso estar bem fisicamente e energeticamente para continuar trilhando minha missão e sei que muitas pessoas que entram nesse ramo de terapia sentem a mesma dificuldade. 

E você, porque se esgota tanto? O que está querendo provar e para quem? Talvez não esteja na hora de olhar pra sua vida e se reconciliar com suas dores e motivações?

 

Podemos ser bondosos de inúmeras formas. Podemos orar, podemos doar nosso tempo ouvindo um amigo; fazer trabalho voluntário; se sobrou uma grana podemos doar, por que não? Mas antes de tudo precisamos cuidar de nós mesmos para que tenhamos força para prosseguir.

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